quarta-feira, 25 de julho de 2012

Projeto do Setor de Paleontologia desenvolve atividades em diversas partes do Estado

Pedro Barros - estudante de jornalismo

O Projeto Fósseis de Alagoas é uma iniciativa vinculada ao Setor de Paleontologia do Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas (MHN/UFAL), sob a coordenação do professor Jorge Luiz Lopes da Silva, que tem ampliado os conhecimentos sobre a pré-história alagoana. Desde 2010, atua nas áreas de pesquisa, ensino e extensão.

Moradores de Inhapí mostram fósseis encontrados na zona rural do município. Segundo o Prof. Jorge Luiz, os vestígios são de mastodontes, tatus gigantes (com uma nova ocorrência para Alagoas), preguiças terrícolas e toxodontes.



Em parceria com o Setor de Geologia, vem registrando várias descobertas nos sítios paleontológicos do Estado. Atualmente, a equipe de Paleontologia desenvolve o projeto "Levantamento, Resgate, Diagnóstico Paleontológico e Salvaguarda do Patrimônio Fossilífero nos Municípios de Olho D'água do Casado, Piranhas, Poço das Trincheiras e Maravilha - Semi-Árido do Estado de Alagoas", financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As últimas ocorrências foram registradas em Inhapí, graças a colaboração de Roberto Oscar, agente de saúde do município, que informou à equipe sobre "ossos estranhos de animais pré-históricos" numa propriedade rural. O fato foi registrado em matéria televisiva, no dia 6 de julho (assista aqui). Para informar sobre achados dessa natureza, entre em contato com o Museu de História Natural ou diretamente com o laboratório de Paleontologia.

O setor tem um importante papel no conhecimento da ciência em Alagoas. Além da participação em eventos acadêmicos, leva apresentações sobre o assunto para várias escolas, públicas e privadas, na capital e no interior. Através das pesquisas de campo, amplia o acervo paleontológico do MHN/UFAL. "O acervo no presente consta de um significativo número de espécimes completos de ossos fossilizados de megamamíferos pleistocênicos do Estado de Alagoas. Dentre estes: dentes isolados, úmeros, tíbias e fíbulas, fêmures, escápulas, crânios, pélvis, vértebras, costelas, rádio e ulna, ossos da mão e do pé de vários animais da megafauna*", afirma o Prof. Jorge Luiz.

Em maio, a equipe de Paleontologia e Geologia do MHN/UFAL fez uma apresentação para turmas do 1° ano do Ensino Fundamental em escola do bairro da Ponta Verde, em Maceió.
Junto à divulgação, o projeto dedica-se à Educação Patrimonial, que visa orientar a população sobre a importância dos fósseis e como proceder no caso de um achado (possivelmente) paleontológico. Em dezembro do ano passado, as então estagiárias dos Setores de Paleontologia e Geologia, Dianne Almeida da Silva e Keyla Juliana Santos Bertolino Café, defenderam uma monografia sobre o assunto.

A estudante do 6° período de Biologia, Elaine Pollyanna Alves da Silva, fala de como é surpreendente trabalhar na pesquisa com fósseis. "No caso do sítio paleontológico de Itatiaia, nunca imaginei que, no fundo da lagoa, pudéssemos encontrar ossos de animais da megafauna* em tão bom estado de conservação. Foi uma surpresa tanto para nós quanto para os moradores locais", diz Pollyanna, que desenvolve um trabalho de conclusão de curso sobre os achados do local.


Estudantes do povoado Itataia, em Olho d'Água do Casado, foram levados pelas professoras para acompanhar a escavação que estava sendo realizada pelos paleontólogos do MHN/UFAL e financiada pelo CNPq (processo: 401792/2010-2, incentivo à paleontologia nacional). 
Está previsto para outubro, o lançamento do livro "Patrimônio Arqueológico e Paleontológico - Alagoas", produzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A obra contém um capítulo sobre a paleontologia no semiárido alagoano, escrito pelo Prof. Jorge Luiz Lopes da Silva.

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Projeto ajuda a recuperar florestas do Baixo São Francisco

Pedro Barros - estudante de jornalismo

Nos dias 11 e 12 de junho, a equipe do Centro de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas (Crad) do Baixo São Francisco realizou um plantio de 600 mudas para recuperar uma Área de Preservação Permanente (APP)* próxima ao rio Itiúba, em Porto Real do Colégio. Também foram doadas 200 mudas de Ouricuri, uma espécie de palmeira típica da região nordeste, para índios da tribo Kariri-Xocó. Todas elas foram produzidas no Arboretum do campus A. C. Simões.

A atividade provém de uma parceria da Ufal, por meio do Museu de História Natural (MHN), do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) e do campus de Arapiraca, com a Universidade Federal de Sergipe (UFS). Sua implantação na região faz parte das ações do Plano de Desenvolvimento Florestal Sustentável da Bacia do Rio São Francisco (PDF-São Francisco), sob responsabilidade do Programa Nacional de Florestas (PNF), com colaboração da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Na Bacia do Rio São Francisco, existem mais seis centros de referência ativos além do Ufal/UFS.

Estagiários do Crad plantam mudas em Porto Real do Colégio. Foto: Ulysses Cortez.
Segundo a Profª. Drª. Flávia de Barros Prado Moura, coordenadora do Crad/Ufal e do Setor de Ecologia do MHN/Ufala caatinga de alagoana já perdeu mais de 90% de sua cobertura original. "O que resta está localizado em lugares de difícil acesso, como encostas de morro, e a maior parte é área secundaria, isto é, que já foi cortada ou queimada, mas regenerou", afirma.

Um dos grandes problemas da devastação arbórea é o risco de desertificação. "A gente tem aqui em Alagoas áreas em que o solo é muito arenoso e raso, e embaixo deles há rochas cristalinas, muito duras. Quando essa vegetação de Caatinga é removida e vem as chuvas (e as chuvas ali são normalmente torrenciais, muito fortes), acontece um processo acentuado de erosão. Vai acabar ficando só a rocha e não vai ter como recompor essas áreas", explica. "A corrida para recuperá-las é algo emergencial, ou fazemos isso agora ou vamos perder grande parte do território alagoano por conta da desertificação".

Conforme a pesquisadora, os centros de referência visam solucionar o problema da falta de modelos de reflorestamento. "Como é que a gente faz para recuperar uma área de restinga? Que técnicas se vai utilizar? Por exemplo, no semiárido, com solo arenoso: Que tipo de planta deve ser plantada? Que tipo de substrato deve ser usado? Quanto se deve plantar? Tudo isso ainda está muito pouco conhecido. Aí foram criados os centros de referência, para que se fizessem pesquisas sobre o que era mais adequado para cada situação", explica. "Essas respostas vão mapear políticas e programas futuros de recuperação de áreas degradadas". As mudas plantadas em Porto Real do Colégio, por exemplo, serão acompanhadas mensalmente para avaliar a taxa de sobrevivência e o crescimento.
   
Mudas de plantas comuns da Caatinga. Foto: Ulysses Cortez.


Além de servir como base de dados, os Crad's são um meio de capacitação para profissionais que desejam trabalhar com a restauração de florestas. O estudante de biologia e estagiário voluntário do Crad/Ufal, Renato Vanderlei, diz ficar honrado em poder participar desse projeto. "Conseguir recuperar uma área depois de anos de degradação, principalmente do bioma Caatinga, único e exclusivo do Brasil, é fantástico", testemunha. "Plantar, reflorestar, são trabalhos divinos. É um contato singular com a natureza. Poder acompanhar uma planta desde seu plantio até seu desenvolvimento é literalmente mágico".

Aliado ao trabalho de recuperação ambiental, a equipe do Crad/Ufal também produz mudas da palmeira Ouricuri para geração de renda das populações nativas. "Usar as florestas não é nenhum crime. Crime é usá-las de maneira que não seja sustentável", salienta a Prof. Flávia. "Um outro projeto é esse que a gente está fazendo com os índios Kariri-Xocó, para recuperar as matas nativas da aldeia". Segundo a professora, a tribo é bastante receptiva ao trabalho: eles desejam recuperar uma mata que consideram sagrada.

Os próprios interessados podem cadastrar áreas que desejam reflorestar em sua propriedadePara isso, só é necessário acessar o site e procurar a guia "CADASTRO". Conforme a coordenadora do projeto há uma lista de espera e, assim que for possível, a equipe do Crad irá desenvolver plantios experimentais no local.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Estagiários do MHN participam de curso sobre Bioacústica

Pedro Barros - estudante de jornalismo

De 11 a 13 de junho, no auditório da Usina Ciência, os estagiários dos setores de Herpetologia e Ornitologia do Museu de História Natural participaram de um curso de capacitação em bioacústica, ministrado pelo doutorando em biologia animal, André Pansonato, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), campus São José do Rio Preto. O curso também foi destinado a alunos do Programa de Pós Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-DIBICT) do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Bioacústica é o ramo da biologia que estuda os sons dos seres vivos e como eles os usam para, por exemplo, se reproduzir ou defender seu território. "Cada espécie de sapo, rã ou perereca apresenta 'canto' peculiar, único: nenhuma canta a mesma nota ou seqüência de notas", explica Pansonato.

O biólogo André Pansonato fala sobre o estudo dos sons dos animais. Foto: Neto Vieira Araújo.


O curso foi voltado para análise bioacústica de anfíbios anuros e aves, embora não se restrinja a essas classes. "Dentre os animais vertebrados que possuem grande capacidade para emitir sons, como as aves, alguns mamíferos (golfinhos, primatas e morcegos) e os anfíbios anuros (anfíbios que não tem cauda quando adultos, como os sapos, rãs e pererecas), estes últimos constituem um grupo notável por apresentar comunicação acústica (vocalizações) bastante variada e específica", analisa o pesquisador.

Além de auxiliar o estudo comportamental, a bioacústica ajuda na identificação das espécies: através dos sinais acústicos é possível diferenciar seres que são muito similares entre si mas que pertencem a espécies diferentes. Pansonato apresenta como exemplo as espécies pertencentes ao gênero Pseudopaludicola. "São anuros de pequeno tamanho, raramente ultrapassando 20 mm de comprimento total, morfologicamente semelhantes entre si, o que dificulta a identificação com base em caracteres morfológicos externos", explica. 

Na dimensão prática do tema, os participantes aprenderam sobre a coleta do áudio em campo e sua análise em laboratório. "Utilizamos o Raven 1.3, um software desenvolvido por pesquisadores de aves, que ajuda, por exemplo, na interpretação dos parâmetros acústicos dos sons", explica Pansonato. 

Conforme o pesquisador, o interesse pelos cantos e grunhidos dos animais já ultrapassou os limites da ciência. “Após a edição dos cantos obtidos no campo dá até para fazer sinfonias. Estamos inserindo, aos poucos, informações do meio científico no cotidiano popular, como: toques de celulares, cd’s de cantos (por exemplo, o Guia interativo dos Anfíbios Anuros do Cerrado, Campo Rupestre & Pantanal e o Guia Sonoro dos Anfíbios Anuros da Mata Atlântica) e páginas de informação na internet".
  

A estudante do 2º período de Bacharelado em Ciências Biológicas da Ufal, Bárbara Virgínia, que participou do curso, conta que não tinha conhecimento sobre a área. "O curso me ajudou a entender mais o que é bioacústica e perceber o quanto ela é importante para a biologia. Achei interessante a diversidade de cantos e espécies dos anfíbios anuros", conta.

Já o pesquisador Barnagleison Lisboa, voluntário do setor de herpetologia do MHN, vê o aprendizado como uma oportunidade para o desenvolvimento da pesquisa científica local. "O curso foi importante para ampliar o estudo da herpetologia [ramo que estuda répteis e anfíbios] em Alagoas", salienta.

André Pansonato desenvolve estudo de ecologia comportamental e taxonomia de espécies do gênero Pseudopaludicola sob orientação de Itamar Alves Martins e Christine Strüssmann, cujas atividades se estendem ao longo da América do Sul e colabora com projetos de pesquisa no Pantanal, ligados ao Laboratório de Herpetologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Cuiabá e no Instituto Nacional de Áreas Úmidas (Inau).