sábado, 6 de dezembro de 2014

Pesquisador da USP visita Coleção Científica do MHN


Pós-graduando do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo), o biólogo Francisco Dal Vechio esteve entre os dias 02 e 04 de dezembro visitando a Coleção de Herpetologia do Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas (MHN/UFAL).

Durante este período, o pesquisador analisou exemplares de cobras jararacas (Gênero Bothrops), colhendo informações para seus projetos de Mestrado e Doutorado na USP.
“Meu objetivo principal aqui no MHN é analisar exemplares de duas espécies de jararaca, tanto geneticamente quanto morfologicamente” afirmou Francisco. As espécies em questão são a Bothrops bilineata, conhecida como cobra-papagaio e a Bothrops muriciensis. Esta última é uma espécie endêmica da Mata Atlântica do Estado de Alagoas, de maneira que ela só foi encontrada, até hoje, na Estação Ecológica (ESEC) de Murici, em Murici/AL.

Francisco Dal Vechio (à direita), Selma Torquato e Neto Araújo na
Coleção de Herpetologia do MHN.

 A pesquisa de Francisco pretende elucidar questões filogenéticas e também biogeográficas da cobra-papagaio e do grupo jararacuçu, ao qual pertence a endêmica B. muriciensis. “Tanto a espécie quanto o grupo ocorrem na Mata Atlântica e na Amazônia brasileiras, sendo separados pela Caatinga e Cerrado. Meus intuitos básicos são confirmar que as cobras-papagaios da Amazônia e da Mata Atlântica são a mesma espécie, buscar como e em que sentido ocorreu essa colonização; além de utilizar a B. muriciensis como ferramenta para compreender a sistemática e a biogeografia do grupo jararacuçu” explica o pesquisador da USP.

Bothrops bilineata, a cobra-papagaio na ESEC Murici. Foto: Ingrid Tiburcio

Para tal, Francisco utiliza características morfológicas e genéticas das espécies e, nesse ponto, ressalta a importância dos espécimes que encontrou na Coleção de Herpetologia do MHN: “Além de ser o único lugar que encontrei amostras de tecido [pedaços de órgãos para análise genética] de B. bilineata, ao norte do São Francisco, estou voltando para São Paulo com uma quantidade muito boa dessas amostras”. No caso da outra espécie, a B. muriciensis, o pesquisador foi mais enfático: “É a única coleção com exemplares e amostras biológicas desta espécie, afinal ela só ocorre aqui em Alagoas”.

A coordenadora do Setor de Herpetologia e curadora desta Coleção, a bióloga Selma Torquato, ressalta a importância desta visita afirmando que “a visita de pesquisadores de outras instituições complementa os trabalhos realizados no Setor, ao mesmo tempo que divulga o acervo e os potenciais usos do mesmo. Permite também a troca de informações e técnicas entre equipes de pesquisas”.

Selma Torquato, curadora da Coleção de Herpetologia do MHN/UFAL,
com exemplares da cobra-papagaio.

Selma tenta reafirmar, ainda, a importância de se ter e preservar essas coleções científicas por elas serem “um registro da biodiversidade de uma região, permitindo várias abordagens de estudo sobre morfologia, comportamento, distribuição geográfica, dentre outras”.

O Diretor Técnico do MHN/UFAL, Prof. Dr. Jorge Luiz Lopes esclarece que todas as Coleções Científicas do Museu estão abertas a pesquisadores.
“Qualquer pesquisador do Brasil e do mundo pode visitar nossos acervos, bastando entrar em contato com os curadores da Coleção de interesse”.

A lista dos Setores e contato de seus coordenadores encontram-se aqui no blog.

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