quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Setor de Herpetologia do MHN participa da elaboração da Lista de Espécies Ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente

Por Assessoria


Através do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios, o Ministério do Meio Ambiente coordenou oficinas de avaliação de riscos de extinção às espécies da herpetofauna brasileira para a elaboração de Planos de Ação Nacional – PAN.

Durante cinco anos de reuniões estaduais, regionais e nacionais, foram consultados inúmeros pesquisadores especialistas, tendo como resultado a publicação da Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção em dezembro de 2014.

O setor de herpetologia do Museu de História Natural - MHN/UFAL esteve presente em algumas oficinas regionais e nacionais, representado pela coordenadora do setor, a bióloga MSc. Selma Torquato, junto com pesquisadores voluntários vinculados à instituição, os biólogos Ubiratan Gonçalves da Silva, Barnagleison Lisboa, Ingrid Tiburcio, José Araújo Vieira Neto e o Prof. Dr. Gabriel Skuk (in memoriam).

PAN para conservação das espécies de répteis e anfíbios ameaçados da Mata Atlântica Nordestina (Natal - RN, agosto - 2012). Foto: Ingrid Tiburcio.


Segundo Selma Torquato, para se chegar ao ponto de indicar quais espécies estão sofrendo algum risco de ameaça, foi preciso, antes de tudo, conhecer através de inventários das faunas nas suas localidades naturais de ocorrência. 

“Isso foi feito, normalmente, com trabalhos de rotina em diversos fragmentos de mata, tendo contribuído para a indicação de espécies que estejam sob algum grau de ameaça”, relatou a bióloga. Dentre os locais onde foram realizados os trabalhos de campo estão a Mata do Catolé, Maceió, AL; a Estação Ecológica de Murici, Murici, AL; a Mata da Serra da Saudinha, Maceió, AL e a Mata da Salva, Rio Largo, AL​.    

Pesquisadores do MHN em trabalho de campo na ESEC Murici. Foto: Ludmilla Nascimento
  

O objetivo é não só identificar as espécies, mas também preservá-las. É o que explica Selma Torquato. “O ponto inicial é identificar as espécies que ocorrem, em seguida as abundâncias das populações e a partir disso inferir o estado de conservação das espécies dessas taxocenoses, grupos de animais que vivem no local, e indicar quais as necessidades para a manutenção dessas populações”, ressaltou a pesquisadora.

Com relação aos animais enquadrados em algum risco de extinção, Selma afirma que no Brasil 80 espécies de répteis foram categorizadas em algum grau de ameaça, dos quais 5 serpentes e 5 tartarugas marinhas ocorrem no Estado de Alagoas. Já em relação aos anfíbios foram apontadas 41 espécies no território brasileiro, onde no Estado ocorrem 5, das quais 2 são endêmicas, ou seja, têm a sua distribuição exclusiva no território alagoano. 

Sobre o que mais preocupa diante do quadro exposto, a especialista afirma que são essas espécies com distribuição extremamente restrita. “Se o local onde a espécie ocorre sofrer algum tipo de intervenção que descaracterize o ambiente e comprometa a manutenção das suas populações, a espécie desaparece do mapa, entra em extinção”, completou a bióloga.

Com relação às espécies que ocorrem em Alagoas e que constam nessa lista, tivemos espécies de anuros (pererecas e sapos): Agalychnis granulosa - VU, Chiasmocleis alagoanus - EN, Crossodactylus dantei - EN, Phyllodytes gyrinaethes - CR e Physaelemus caete - EN. 

A: Agalychnis granulosa - VU (Foto: Filipe Nascimento), B: Phyllodytes gyrinaethesCR. Foto: Barnagleison Lisboa 

Saiba mais...

O objetivo do PAN é estabelecer metas e compromissos que contribuam para a conservação das espécies ameaçadas ou insuficientemente conhecidas, mas com possibilidades de sofrer ameaça. Os critérios usados para as avaliações são os mesmos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), onde as categorizações progressivas são: vulnerável (VU), em perigo (EN), criticamente ameaçada (CR) e extinta na natureza (EX).

Confira a lista de espécies ameaçadas no link abaixo:

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